sábado, 17 de dezembro de 2011

PROJETO SACOLA DE LEITURA

Projeto Sacola da Leitura

Objetivos:

• Incentivar o gosto pela leitura,
• Conhecer histórias variadas,
• Ampliar o vocabulário,
• Reunir a família, possibilitando assim o diálogo, a troca, a interação e a união entre seus membros,
• Despertar ainda mais a imaginação, a curiosidade, a comunicação e a auto-estima das crianças.

A criança adora histórias de reis, rainhas, príncipes, princesas, bruxas,  animais falantes, sapatos viajantes;  pois tudo isso faz parte do seu mundo imaginário, de sua fantasia. Tudo isso se torna ainda mais prazeroso quando ouvidas em família.
O Projeto  Sacola da Leitura  consiste no empréstimo dos livros da Biblioteca onde os alunos(as) levam para casa uma sacola contendo um livro de história e um caderno de registro para que a criança realize sua leitura em casa junto a família, onde terão que registrar a sua opinião sobre a história lida usando escrita, desenho, colagem ou o que a imaginação mandar. Promovemos assim o contato com os livros, conhecendo vários autores e ilustradores, despertando na criança o hábito da leitura.
Depois, cada aluno(a) apresentará sua leitura ou interpretação aos colegas. Na apresentação em sala, o aluno (a) também, poderá apenas responder as perguntas feitas pelos colegas ou pelo(a)  professor(a) sobre o livro, ou deixar por conta da imaginação do aluno .
Acreditamos  que a leitura realizada em parceria com a família estreita os laços afetivos da criança com o objeto livro.






* As sacolas foram confeccionadas pelas mães que participam do Projeto Escola Aberta, pintadas por alunas do turno vespertino (6 ao 9 ano) e por minha filha Danielly.



sábado, 10 de dezembro de 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO TUDO VIRA POESIA

A V Bienal Internacional do Livro em Alagoas foi o local escolhido pela escritora MARIJÔSE ALBUQUERQUE para o lançamento do livro TUDO VIRA POESIA volume 1.
Amigos e admiradores da escritora marcaram presença no evento.
Para quem perdeu o lançamento pode-se adquirir o livro diretamente com a autora através desse e-mail: marijosealbuquerquecosta@hotmail.com

Confira algumas fotos do lançamento












Conheça algumas poesias do livro

FOLHINHA DE ÁGUA

Folhinha de água traz a palavra
Palavra de Deus
Que um dia escreveu:
Não só de pão vive o homem
Mas, de toda a palavra de Deus.

Cuide da plantinha,
da formiguinha,
do beija-flor,
faceiro de amor.

Dos passarinhos com os filhotinhos,
ninho quentinho,
das lindas borboletas fazendo acrobacias
perto das bacias.

Das árvores tão belas, assim são elas.
No outono a folha vem.
É hora de replantar.
Novas sementes
regar, regar...

TANTO TESOURO

Tanto tesouro guardado no mar
Peixe-lua, peixe-espada
Irão sempre se encontrar?

Tantas conchas guardadas no mar
Pérolas raras a brilhar
Quantos tubarões a sintonizar
Em ondas magnéticas a desgraça do
mar!

Os ouriços a se espalhar
Assim vão ficar?
Tantas tartarugas em noites enluaradas
A despejar novos ovos proliferar
E o homem de olho para capturar.

Faz tanta maldade,
como será?

VIDA DE CRIANÇA

Jogar bola.
Ir à escola.
Brincar de boneca ou peteca.

Subir em árvores,
fazer casinhas.
Querer ser anjo,
ter asinhas.

Esconder-se, esconder-se
em algum lugar,
perto ou longe,
para alguém encontrar.

Fazer travassuras,
rir ou chorar.
Ler ou ouvir histórias,
e a vida imaginar.

Enviar mensagem no computador.
Ir ao cinema com o pai, mãe, avó ou avô.
Viver a vida de faz de conta,
sendo uma eterna criança.







V BIENAL DO LIVRO EM ALAGOAS

Para nós foi gratificante participar da V Bienal Internacional do Livro em Alagoas, no estande da SEEE. Foram duas representantes da nossa escola: a diretora, que tambem é escritora, Marijôse Albuquerque com CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS apresentando a história SAPATO VIAJANTE, CAMINHOS DISTANTES e a Coordenadora Pedagógica, tambem  responsável pela Biblioteca, Conceição Marques com OFICINA DE CONSTRUÇÃO DE BRINQUEDOS, confeccionando o brinquedo BARANGANDÃO ARCO-ÍRIS. Contamos com o apoio de Mazzarello (diretora adjunta), Fernanda Karina (Coordenadora Pedagógica), Lucyelly e Milena (alunas).  As crianças interagiram bastante. Agradecemos a 1ª CE pelo convite.











sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ERA UMA VEZ... Uma historinha para você contar





Ler histórias é poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelas personagens, é suscitar o imaginário, é poder sentir emoções importantes, como a alegria, a tristeza, a raiva, o medo, o bem-estar, a tranquilidade, é envolver-se, encantar-se.
A leitura de histórias nos garante conhecer  novas palavras, desenvolve o poder de observação e amplia as experiencias. Além disso, as histórias tambem estimulam a atenção e a memória despertando a sensibilidade e o imaginário, contribuindo para a formação do caráter.
Reserve um tempinho do seu dia para ler uma história!
Aqui você vai encontrar histórias de princesas, reis, sapos, dragões, florestas, castelos, meninos valentes que devoram gigantes...
Tem coisa melhor do que viajar com uma história?

O caso das bananas
(Milton Célio de Oliveira Filho)

Ao acordar, de manhã, o macaco deu pela falta do seu cacho de bananas.
Procura aqui, procura ali e nada... Algum espertinho levara tudo.
- FUI ROUBADO!
A mata ficou agitada com a notícia. E logo, Dona Coruja, investigadora das mais afamadas, aceitou o novo caso.
CORUJA - Caro Macaco, para começar do começo, melhor a vítima. Primeiro diga-me: Há algum suspeito?
MACACO - Dona Coruja, abomino o preconceito, mas... Soube de um bicho estranho que veio de muito longe. Não é, pois destas bandas. Não duvido que tenha escondido as bananas na bolsa que trazia na barriga.
CORUJA - Hum!!! Tem caroço nesse angu, vamos então ouvir o...
CANGURU - Essa história já conheço. Só por ser um estrangeiro já viro logo suspeito. Pois digo, digo e repito: nesta mata há um tipo ainda mais esquisito, com um rabo bem fornido tal e qual uma lagartixa multiplicada por quatro.
CORUJA – Ora, agora eu me acho. É hora de interrogar o...
LAGARTO – Dona Coruja, eu não tenho nada com o pato. Mas... Tenho um palpite: quem tapeou o macaco vive muito bem na mata, com seu porte de madame e com seu casaco de pintas.
CORUJA – Palpite não conta. Mas não custa ir até a...
ONÇA – Dona coruja tenho cara de malvada, pois quando fico brava... Viro mesmo uma onça. Mas no fundo sou boa-praça. Não quero atirar pedra na vidraça do vizinho. Pense, pense um pouquinho: que bicho aqui desta mata poderia comer tantas bananas sem ficar engasgado? Só mesmo com um pescoço comprido, comprido como um gargalo... Um gargalo de garrafa.
CORUJA – Um gargalo de garrafa? Pois vamos até a...
GIRAFA – Das bananas nem sabia. Juro! Mas o maroto que as levou deve ser muito ladino, com um rabo bem peludo e bigode no focinho.
CORUJA – Ora, ora! Não posso perder a pose. Quero escutar sem muita prosa a...
RAPOSA – Minha cara Coruja sou famosa pela astúcia, mas... Meu negócio são galinhas. Vez ou outra umas uvas. E vou lhe dar umas dicas: pra mim o malandrão é o tal que ostenta uma juba e nunca, nunca perde a majestade.
CORUJA – Pelo sim, pelo não, vamos saber o que diz o...
LEÃO – só lambo o beiço por carne. Bananas? Arre! Nem de graça. Nós os gatos grandes ou pequenos, não nos damos com fruta nem mato. Pra resolver logo o caso, preste atenção na charada: Quem pode subir em árvores embora não tenha patas?
CORUJA – Como é duro o ofício! Porém, mãos à obra, é ora de ouvir a...
COBRA – Dona Coruja ouça: Tudo sobra pra cobra em dobro. Dizem que sou uma víbora. Mas no caso das bananas, creia, sou inocente. Sem querer ser venenosa, achar o larápio é fácil, com sua roupa listrada.
CORUJA – É preciso dar ouvidos a todos de “A” à “Z”. Pois então vamos até a... ZEBRA – No dia dos fatos eu estava fora a visitar o cavalo, que é meu contra parente. Mas pra mim está óbvio: Quem mais poderia agarrar o cacho de bananas sem ter uma grande tromba?
CORUJA – É hora de seguir adiante e conversar com o...
ELEFANTE – Dona Coruja, pouco uso minha tromba de uns tempos pra cá, pois ando só resfriado. Se quiser saber de tudo, consulte quem tudo viu e tudo vê lá do alto.
CORUJA – Agora a porca torce o rabo. Já me vou por ali pra encontrar...
BEM-TE-VI – Vi sim. E vi muito bem o Macaco acordar esfomeado no meio da madrugada. E comer uma, duas e até três bananas de uma única vez, até acabar com o cacho. Mais coitado, não sabia, pois enquanto comia, roncava.
CORUJA – O mistério chega ao fim sem muito pano pra manga. O meu compadre guloso pasmem... É o SONÂMBULO!!!


Borba, o gato – RUTH ROCHA


Borba, o gato

Borba, o gato, e Diogo, o cão, eram muito amigos.
Desde muito pequenos foram criados no mesmo quintal e, assim, foram ficando cada vez mais unidos.

Brincavam de pegador, de amarelinha e de mocinho e bandido.
Essa era a brincadeira de que eles mais gostavam.
Ás vezes, Borba era o mocinho e Diogo o bandido.
Outras vezes, era o contrário.

Vocês já ouviram falar que duas pessoas brigam como cão e gato?
Pois os nossos amigos nunca brigavam, apesar de serem realmente cão e gato.

De vez em quando, Diogo arreliava um pouquinho Borba, cantando:
– Atirei o pau no ga-to-to, mas o ga-to-to não morreu-reu-reu…
Mas o Borba nem ligava e eles continuavam amigos.

Quando chegou a hora de irem para escola, Diogo, que era um cão policial, resolveu estudar na escola da polícia.

Borba foi contar a mãe:
– Sabe, mamãe? Eu também vou ser policial.
Dona Gata riu:
– Onde é que já se viu gato policial?
– Ora, mamãe, se existe cachorro policial, por que é que não pode haver gato policial?

Dona Gata explicou:
– Meu filho, gatos são gatos, cachorros são cachorros.
Existe gato siamês, gato angorá…existiu até aquele célebre Gato-de-Botas.
Mas gato policial, isso nunca houve.

– Mas, mamãe, só porque nunca houve não quer dizer que não possa aparecer um.
Afinal, é a minha vocação…

Diogo, todos os dias, trazia exercícios para fazer em casa:
– Hoje eu tenho que descobrir quem é que rouba o leite da casa de dona Marocas. Você quer me ajudar?

Borba sempre queria.
Mas, cada vez que ia ajudar seu amigo, arranjava uma boa trapalhada…
Mas o Borba não desistia:
– Sabe, Diogo?
Eu tenho escutado uns barulhos muito estranhos, de noite. Deve ser algum ladrão. Vamos ver se a gente pega?

E os dois saíram, de madrugada, para pegar o ladrão…
Que não era ladrão nenhum, era só o padeiro!

A mãe de Borba já estava zangada:
– Vamos acabar com esses passeios no meio da noite!
Criança precisa dormir bastante!

– Mas, mamãe, todos os gatos andam à noite pelos telhados.
– Isso são os gatos grandes. Você ainda é muito pequeno.
– Ah, mamãe, assim você atrapalha minha carreira!
E Borba continuava a treinar para policial.

E explicava a Diogo:
– Eu preciso reabilitar a raça felina.
Em todas as histórias, os ratos são bonzinhos e os gatos são malvados. Veja os desenhos animados.
Veja Tom e Jerry! É uma injustiça. Eu vou mostrar a todo mundo que os gatos são grandes homens, quer dizer, grandes gatos…

O tempo passou e Diogo recebeu seu diploma. Ganhou uma linda farda e todas as noites fazia a ronda do bairro:
– PRIIIUUUUU! PRIIIUUUUU!…

Borba ainda tinha esperanças de vir a ser um policial e por isso saía sempre com o seu amigo.
Uma noite, quando vinham passando pela casa do seu Godofredo, viram alguma coisa muito suspeita no telhado:

– O que é aquilo? – perguntou Diogo.
– Desta vez juro que é um ladrão.
– Mas eu não sei subir no telhado.
Como é que eu faço?
– Quem não tem cão caça com gato – disse o Borba.
– Deixa que eu vou.

E subiu pela calha como só os gatos sabem fazer.
Aproximou-se do ladrão por trás e …
– MIAAAUUUUUU!

O ladrão levou tamanho susto que despencou do telhado, caindo bem em cima do Diogo.
O Borba ainda gritou:
– Cuidado, Diogo!
Se ele te pega, faz cachorro-quente!

Mas o ladrão, que era o ladrão de galinhas, estava tão assustado que não conseguiu nem fugir.

– Está preso em nome da lei! – disse Diogo, todo satisfeito, pois era o primeiro ladrão que ele prendia.

Borba vinha descendo do telhado, todo orgulhoso.
Toda a vizinhança aplaudia os dois amigos:
– Agora podemos dormir sossegados!

Diogo levou seu prisioneiro para a delegacia e explicou, direitinho, como é que tinha prendido o ladrão.

O delegado quis logo conhecer o Borba e deu a ele uma condecoração:
– Parabéns, seu Borba!
O senhor daria um grande policial!

Borba piscou para o Diogo.
E foi admitido na corporação, mesmo sem fazer o curso.

Afinal, ele já tinha dado provas de ser um bom policial.
E ganhou o cargo de guarda dos telhados.

E agora, todas as noites, enquanto Diogo vigia as ruas, Borba cuida do seu setor.

A rua deles é a mais bem guardada da cidade.

Pois tem um policial na rua e um no telhado:
Borba, o gato.


PRA VENCER CERTAS PESSOAS 

RUTH ROCHA 






Pra vencer certas pessoas

Uma vez um vaqueiro por nome de Pedro se empregou num convento de irmãos. De tanto lidar com os frades, Pedro foi ficando muito amigo deles.
De todos os irmãos, Pedro gostava mais era de frei Damião, o mais sábio de quantos sábios havia no convento.

Frei Damião sabia da chuva e sabia do sol.
Sabia das colheitas e das semeaduras.
Sabia de histórias de reis e de rainhas, de cavaleiros e damas, de castelos e de dragões. Frei Damião sabia de tudo!

A fama do frade acabou chegando no palácio do rei.
E o rei ficou curioso para conhecer frei Damião.
E mandou chamá-lo, porque queria lhe fazer três perguntas.
Os reis, antigamente, parece que não tinham nada para fazer.
Então eles gostavam muito dessas histórias de fazer perguntas pra ver se as pessoas sabiam as respostas. Perguntavam umas perguntas muito sem jeito, que ninguém entendia direito. E se as pobres vítimas não sabiam responder, tome castigo!

Frei Damião foi se preparando para ir falar com o rei.
Mas Pedro estava com muito medo:
– Frei Damião – ele disse – o senhor não devia de ir, não. Eu sou um roceiro, muito do ignorante, mas eu conheço esses reis. Eles querem perguntar umas bobagens pro senhor. E se o senhor não responder do jeitinho que eles gostam, o senhor está perdido!
– Que é isso, meu filho? – o frei espantou-se. – Eu só posso responder ao rei as coisas que eu sei. E quem diz a verdade não merece castigo! Todo mundo sabe!
– Todo mundo, menos o rei! Essa gente poderosa não quer ouvir a verdade, não! O que eles querem é uma mentirinha bonitinha, engraçadinha, que agrade a eles. Sabe de uma coisa, frei? Eu é que vou no seu lugar! O rei não conhece o senhor. Ninguém na corte conhece o senhor. Eu me disfarço de frade e vou. Garanto que vou saber as respostas que o rei quer.

Frei Damião não permitiu de jeito nenhum que Pedro fosse. Mas, de madrugada, Pedro saiu bem de mansinho, sem que ninguém visse, e foi para a corte vestido de frade.

O rei recebeu Pedro muito bem e nem desconfiou de nada:
– Muito bem, frei Damião, está pronto para responder às minhas perguntas?
Pedro fez que sim com a cabeça.
Então o rei começou:
– Está vendo aquele morro, detrás do meu palácio?
Pedro olhou pela janela e viu.
– Pois me diga, meu bom frade, quantos cestos são precisos para carregar toda aquela terra para o outro lado do palácio?
Pedro fingiu que estava pensando, mas por dentro ele estava era rindo:
– Depende, Majestade!
– Depende de quê, frei Damião?
– Pois depende do tamanho do cesto, Majestade. Se o cesto for do tamanho do morro, basta um. Se for a metade do morro, é preciso dois.
O rei ficou embasbacado. Nunca ninguém tinha conseguido responder àquela pergunta. Mas ele não podia responder que estava errado. Então pensou, e tornou a perguntar:
– Pois me diga lá, meu bom irmão, onde é que fica o centro do universo?
Pedro sabia muito bem que ninguém tinha idéia de que tamanho era o universo, quanto mais onde era o centro…
Mas ele sabia, também, que os reis são muito convencidos e acham que são a coisa mais importante do mundo.
Então Pedro, muito sem-vergonha, respondeu:
– Ora, meu rei, essa pergunta é fácil! Todo mundo sabe que o centro do universo é onde está sua Majestade…
O rei ficou todo prosa pela resposta de Pedro e começou a achar que aquele fradinho era muito sabido, mesmo. E ele veio com a pergunta mais difícil de todas:
– Vamos lá, me responda, frei Damião, o que é que eu estou pensando?
No que o rei perguntou, Pedro coçou a cabeça, olhou de lado pro rei e mandou:
– Vossa Majestade está pensando que eu sou o frei Damião, mas sou é o vaqueiro dele.

Foi uma risada só. Todos na corte acharam tanta graça que o rei não teve outro remédio senão rir também.
E deu a Pedro uma porção de presentes e mandou que ele fosse em paz.

Quando Pedro chegou ao convento, encontrou todo mundo muito preocupado.
Frei Damião já estava se preparando para ir atrás dele.
– Que é que houve, homem? Eu já estava ficando assustado com a sua demora.
Pedro sorriu, passou a mão na sua violinha e começou a cantar:

“Quem possui muito poder
Abusa de toda gente.
Por isso, a gente que é fraco,
Tem de ser inteligente…
Não adianta ter razão,
Não adianta estar certo.
Pra vencer certas pessoas
É preciso ser esperto!”

MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA
Ana Maria Machado


Menina bonita do laço de fita – Ana Maria Machado

Era uma vez uma menina linda, linda.
Os olhos dela pareciam duas azeitonas
pretas, daquelas bem brilhantes.
Os cabelos eram enroladinhos e bem negros, feito fiapos da noite. A pele era
escura e lustrosa, que nem o pêlo da
pantera negra quando pula na chuva.
Ainda por cima, a mãe
gostava de fazer trancinhas no cabelo dela
e enfeitar com laço de fita colorida. Ela ficava parecendo uma
princesa das Terras da África, ou uma
fada do Reino do Luar.
Do lado da casa dela morava um
coelho branco
, de orelha cor-de-rosa,
olhos vermelhos e focinho nervoso
sempre tremelicando. O coelho
achava
a menina
a pessoa mais linda que ele
tinha visto em toda a vida. E pensava:
- Ah, quando eu casar quero ter uma
filha pretinha
e linda que nem ela…
Por isso, um dia ele foi até a casa da
menina e perguntou:
- Menina bonita do laço de fita
, qual
é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu caí na tinta
preta quando era pequenina..
O coelho saiu dali, procurou uma lata
de tinta preta e tornou banho nela.
Ficou bem negro, todo contente. Mas
aí veio uma chuva e lavou aquele pretume, ele ficou
 branco
outra vez.

Então ele voltou lá na casa da menina
e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita
, qual é
teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu tomei muito
café quando era pequenina.
O coelho saiu dali e tomou tanto café
que perdeu o sono e passou a noite toda fazendo xixi. Mas não ficou nada
preto.
Então ele voltou lá na casa da
menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de
fita, qual é teu segredo pra ser tão
pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu comi muita
jabuticaba quando era pequenina.
O coelho saiu dali e se empanturrou de jabuticaba
até ficar pesadão, sem conseguir
sair do 1ugar. O máximo que
conseguiu foi fazer muito cocozinho
preto e redondo feito jabuticaba.
Mas não ficou nada preto.
Por isso, daí a alguns dias ele voltou lá na
casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual
é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia e já ia inventando
outra coisa, uma história de feijoada, quando a mãe dela,
que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter e disse:
- Artes de uma avó preta que ela tinha…
Aí o coelho – que era bobinho,
mas nem tanto – viu que a mãe da menina
devia estar mesmo dizendo a verdade, porque
a gente se parece sempre é com os pais, os tios,
os avós e até com os parentes tortos.
E se ele queria ter uma filha pretinha e
linda que nem a menina, tinha era que procurar uma coelha preta para casar.
Não precisou procurar muito.
Logo encontrou uma coelhinha escura
como a noite, que achava aquele
coelho branco uma graça.
Foram namorando, casando e tiveram
uma ninhada de filhotes, que coelho
quando desanda a ter filhote não pára mais.
Tinha coelho pra todo gosto: branco,
bem branco, branco meio cinza,
branco malhado de preto, preto
malhado de branco e até uma coelha
bem pretinha. já se sabe, afilhada da
tal menina bonita que morava na casa
ao lado.


E quando a coelhinha saía, de laço
colorido no pescoço, sempre
encontrava alguém que perguntava:
- Coelha bonita do laço de fita, qual é
teu segredo pra ser tão pretinha?
E ela respondia:
- Conselhos da mãe da minha
madrinha…



A ARCA DE NOÉ - Ruth Rocha





A Arca de Noé
Esta história é muito,
Muito antiga.

Eu li
Num livrão grande do papai,
Que se chama Bíblia.
É a história de um homem chamado Noé.
Um dia, Deus chamou Noé.
E mandou que ele construísse
Um barco bem grande.
Não sei por quê,

Mas todo mundo chama esse barco
De Arca de Noé.
Deus mandou
Que ele pusesse dentro do barco
Um bicho de cada qualidade.
Um bicho, não. Dois.
Um leão e uma leoa…
Um macaco e uma macaca…
Um caititu e uma caititoa…

Quer dizer, caititoa não,
Que eu nem sei se isso existe.
E veio tudo que foi bicho.

Girafa, com um pescoço
Do tamanho de um bonde…
Tinha tigre de bengala.
Papagaio que até fala.
E tinha onça-pintada.
Arara dando risada,
Que era ver uma vitrola!
E um casal de tatu-bola…
Bicho d´água, isso não tinha,
Nem tubarão, nem tainha,
Procurando por abrigo.
Nem peixe-boi nem baleia,
Nem arraia nem lampreia,
Que não corriam perigo…
E zebra, que parece cavalo de pijama…
E pavão, que parece um galo
Fantasiado pra baile de carnaval.
E cobra, jacaré, elefante…
E paca, tatu e cutia também.
E passarinho de todo jeito.
Curió, bem-te-vi, papa capim…
E inseto de todo tamanho.
Formiga, joaninha, louva-a-deus…
Eu acho que Noé
Devia Ter deixado fora
Tudo que é bicho enjoado,
Como pulga, barata r pernilongo,
Que faz fiuuummm no ouvido da gente.
Mas ele não deixou.
Levou tudo que foi bicho.
Tinha peru, tinha pato.
Tinha vespa e carrapato.
Avestruz, carneiro, pinto…
Tinha até ornitorrinco.
Urubu, besouro, burro.
Gafanhoto, grilo, gato.
Tinha abelha, tinha rato…
Quando a bicharada
Estava toda embarcada,
E mais a família do Noé todinha,
Começou a cair uma chuvarada.
Mas não era uma chuvarada
Dessas que caem agora.
Você já viu uma cachoeira?
Pois era igualzinho
A uma cachoeira caindo,
Caindo, que não acabava mais.
Parecia o Rio Amazonas despencando.
E aquela água foi cobrindo tudo, tudo.
Cobriu as terras, cobriu as plantas, cobriu as árvores, cobriu as montanhas.
Só mesmo a Arca de Noé, que boiava em cima das águas, é que não ficou coberta.
E mesmo depois
Que passou a tempestade
Ficou tudo coberto de água.
E passou muito tempo.
Todo mundo estava enjoado
De ficar preso dentro da Arca,
Sem poder sair nem um bocadinho.
Os bichos até começaram a brigar.
Que nem criança,
Que fica muito tempo dentro de casa
E já começa a implicar com os irmãos.
O gato e o rato
Começaram a brigar nesse tempo
E até hoje não fizeram as pazes.
Até que um dia…
Veio vindo um ventinho lá de longe.
E as águas começaram a baixar.
E foram baixando, baixando…
E Noé teve uma idéia.
Mandou o pombo
Dar uma volta lá fora
Para ver como estavam as coisas.
Os pombos são ótimos para isso.
Eles sabem ir e voltar dos lugares,
Sem se perder, nem nada.
Por isso é que Noé escolheu o pombo
Para esse trabalho.
O pombo foi e voltou
Com uma folhinha no bico.
E Noé ficou sabendo
Que as terras já estavam aparecendo.
E as águas foram baixando
Mais e mais…
Então a Arca pousou
Sobre um monte.
E todo mundo pôde sair
E todo mundo ficou contente.
E todos se abraçaram
E cantaram.
E Deus pendurou no céu
Um arco colorido,
Todo de listras.
E esse arco queria dizer
Que Deus era amigo dos homens,
E que nunca mais
Ia chover assim na terra.
Você já viu, depois da chuva,
O arco-íris redondinho no céu?
Pois é pra sossegar a gente.
Pra gente nunca mais
Ter medo da chuva!

Chapeuzinho Amarelo

Chico Buarque 


Chapeuzinho Amarelo



Era Chapeuzinho Amarelo.

Amarelada de tanto medo.
Tinha medo de tudo,
aquela Chapeuzinho.
Já não ria.
Em festa, não aparecia.
Não subia escada
nem descia.
Não estava resfriada
mas tossia.
Ouvia conto de fada
e estremecia.
Não brincava mais de nada,
nem de amarelinha.
Era Chapeuzinho Amarelo.
Amarelada de tanto medo.
Tinha medo de tudo,
aquela Chapeuzinho.
Já não ria.
Em festa, não aparecia.
Não subia escada
nem descia.
Não estava resfriada
mas tossia.
Ouvia conto de fada
e estremecia.
Não brincava mais de nada,
nem de amarelinha.


Era Chapeuzinho Amarelo
E de todos os medos que tinha
o medo mais que medonho
era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
Tinha cada vez mais medo
do medo do medo do medo
de um dia encontrar um LOBO.
Um lobo que não existia.

E Chapeuzinho Amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz
de comer duas avós,
um caçador,
rei, princesa,
sete panelas de arroz
e um chapéu
de sobremesa.

Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo,
o medo do medo do medo
de um dia encontrar um LOBO.
Foi passando aquele medo
do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco
de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo
e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado
de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado,
triste, murcho e branco azedo,
porque um lobo, tirado o medo,
É um arremedo de lobo
É feito um lobo sem pelo
Lobo pelado.

O lobo ficou chateado.

E ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada!.
E ele gritou: sou um LOBO!
Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: Eu sou um LOBO!!!
Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar
de outra coisa.
Ele então gritou bem forte
aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando
e a menininha saber
com quem não estava falando:

LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO-
LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO-
LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO-
Aí,
Chapeuzinho encheu edisse :
“Pára assim! Agora! Já!
Do jeito que você tá!”
E o lobo parado assim
do jeito que o lobo estava
já não era mais um LO-BO
Era um BO_LO.
Um bolo de lobo fofo,
tremendo que nem pudim,
com medo da Chapeuzim.
Com medo de ser comido
com vela e tudo, inteirim.
LO-BO-LO-BO


Chapeuzinho não comeu
aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu
de chocolate.
Aliás, ela agora, come de tudo,
menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva
nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca,
vai à praia, entra no mato,
trepa em árvore rouba fruta,
depois joga amarelinha
com o primo da vizinha
com a filha do jornaleiro
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.
Mesmo quando está sozinha,
inventa uma brincadeira.
E transforma
em companheiro
cada medo que ela tinha:
o raio virou orrái,
barata é tabará,
a bruxa virou xabru
e o diabo bodiá.
FIM

Ah! Outros companheiros da Chapeuzinho Amarelo:

O Gãodra, a Jacoru, o Barão-tu, o Pão Bichopa,

e todos os trosmons.





A galinha ruiva





Era uma vez uma galinha ruiva, que morava com seus pintinhos numa fazenda. Um dia ela percebeu que o milho estava maduro, pronto para colher e virar um bom alimento. A galinha ruiva teve a idéia de fazer um delicioso bolo de milho. Todos iam gostar! Mas era muito trabalhoso... ela precisava de bastante milho para o bolo. Quem podia ajudar a colher a espiga de milho no pé? Quem podia ajudar a debulhar todo aquele milho? Quem podia ajudar a moer o milho para fazer a farinha de milho para o bolo? Foi pensando nisso, que a galinha ruiva encontrou seus amigos:
- Quem pode me ajudar a colher o milho para fazer um delicioso bolo?
- Eu não, disse o gato. Estou com muito sono
- Eu não, disse o cachorro. Estou muito ocupado.
- Eu não, disse o porco. Acabei de almoçar.
-Eu não disse o pato. Está na hora de brincar.
Todo mundo disse não. Então, a galinha ruiva ficou triste e foi preparar tudo sozinha: colheu as espigas, debulhou o milho, moeu a farinha, preparou o bolo e colocou no forno. Quando o bolo ficou pronto... Aquele cheirinho bom de bolo foi fazendo os amigos se chegarem. Todos ficaram com água na boca.
Então a galinha ruiva disse:
- Quem foi que me ajudou a colher o milho, preparar o milho, para fazer o bolo? Todos ficaram bem quietinhos. (Ninguém tinha ajudado.)
- Então quem vai comer o delicioso bolo de milho sou eu e meus pintinhos, apenas. Vocês podem continuar olhando. E assim foi: a galinha e seus pintinhos aproveitaram a festa, e nenhum dos preguiçosos foi convidado.